Resposta: Nasci no Rio de Janeiro (RJ), em 16 de novembro de 1923. Passei a infância e anos da mocidade em Guaxupé, sul de Minas.Comecei a interessar-me pela literatura com a idade aproximada de 35 anos. Não sofri influência de parentes, amigos, ou professores. O que aprendi na Escola de Comércio não me instigou a criar textos. Saudoso da infância, um dia pensei em escrever algumas linhas sobre minhas peraltices e as de outros meninos. Daí, surgiu o meu primeiro livro de contos “Rua Taboão”. Depois, continuei escrevendo sem muito entusiasmo e com pouco tempo disponível.
Resposta: Li e ainda leio Machado de Assis, principalmente seus livros de contos. Li, também, contistas brasileiros e estrangeiros publicados em antologias. Gosto, também, de crônicas, de romances e de poesias. Agora,já leio menos.
Resposta: Sim, Tenho feito exatamente isso.
Resposta: Não. Continuo ligado a alguns antigos escritores consagrados, como Machado de Assis, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, sempre atento ao seu modo de narrar e à correção gramatical.
Resposta: Já participei de várias antologias de contos, no Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, etc. Acho muito interessante a antologia, que é um meio de o autor tornar-se mais conhecido. Naturalmente, e muito honrado fico, participarei de sua antologia, se aprovar meu texto enviado. É só convidar.
Resposta: Sim. Sou membro da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil – Rio de Janeiro -- e pertenci à Academia de Letras de São João da Boa vista (SP), da qual sou hoje correspondente, pelo motivo de minha mudança de cidade. Recebi alguns convites para ingressar em Academias de Letras, mas os recusei por não me sentir mais animado a fazer constantes viagens para assistir às reuniões em outras cidades.
Resposta: Creio que já escrevi, mais ou menos, cem textos literários, todos modestos contos, muitos dos quais integraram antologias. Alguns premiados em concursos públicos. Atualmente, venho cuidando de revisar textos mais antigos, resumindo-os, ou modificando-os.
Resposta: Somente escrevo em prosa e, assim mesmo, com certa dificuldade. Nunca me sinto satisfeito com o que escrevo e retoco o texto várias vezes.
Resposta: Não possuo.
Resposta: Não tenho feito escolha. Escrevo o que me vem à cabeça. Tenho contos sobre a infância, sobre a vida bancária, sobre o tempo em que servi no Exército, na 2° Guerra Mundial, e sobre pescarias,
Resposta: Apreciar, eu aprecio. Sempre morei em cidades no interior, onde pouco se cuidava da cultura. Sempre que podia, ia ao Rio de Janeiro, ou a São Paulo para assistir a alguma apresentação musical e fazer visitas. Não estou envolvido em outro tipo de arte.
Resposta: Não espero nenhum retorno da literatura. Por acaso, comecei a escrever alguns contos e tive a sorte de conseguir publicá-los em antologias, alguns até premiados. Sinto-me bem compensado com essa forma de retorno.
Reposta: Acho que o brasileiro não costuma ler muito. Prefere notícias rápidas, principalmente as veiculadas pela televisão, relatando violências, sequestros e crimes.
Resposta: Sei que é muito importante o registro de textos na Fundação Biblioteca Nacional. Como meus textos são muito simples, não me preocupei em registrá-los.
Reposta: Tenho livros–solo publicados. Não consigo vendê-los com facilidade. Prefiro dizer que é difícil alguém comprar um livro. Tenho doado muitos para as bibliotecas, escolas e amigos. Sou um péssimo vendedor.
Resposta: Naturalmente que eu conheço, não pessoalmente, o Comendador, Poeta e Escritor Paulo Roberto de Oliveira Caruso, da Academia Brasileira de Trova e de outras academias literárias e organizador de muitos concursos literários, de alguns dos quais tive a honra de participar e merecer boa classificação.
Resposta: Para mim, a literatura tem sido um hobby, uma como cachaça que a gente bebe a primeira vez, gosta e não consegue mais largar.Ela não aumenta minha renda. Muito pelo contrário, aumenta meus gastos com as publicações e remessas de livros a alguns críticos literários e aos amigos..
Resposta: Trabalhei no Banco do Brasil durante 30 anos, em agências de Minas e São Pulo, ocupei diversos cargos da carreira e me aposentei como gerente em São João de Boa Vista (SP) , há 37 anos, de bem com a vida, com o Banco e com todos os colegas com quem convivi.
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Caro escritor Oliveira Caruso, tomo a liberdade de enviar-lhe o sentido texto que escrevi em homenagem a minha falecida esposa:
ELA PARTIU
Lembrando a querida esposa
EDITH LARA ALÉM
No mar de incertezas de nossa vida terrena, a Lara e eu, sempre unidos, procuramos navegar como as demais famílias modestas. Com muita festa e alegria, nosso barco iniciou a viagem em 1946 apenas com dois tripulantes, ela e eu. Pouco tempo depois, acolhemos o primeiro passageiro. Mais tarde o segundo, depois o terceiro e o quarto e o último. Assim completo, o barco continuou singrando, ora em águas serenas e claras, ora em revoltas e turvas, resistindo à fúria das procelas para não soçobrar. Dois dos passageiros, coitados! ainda jovens e sempre chorados, não suportaram as intempéries e desembarcaram antes da travessia.
Muitas vezes, a Lara e eu nos separamos por alguns dias, quando ela ia visitar parentes, ou consultar médicos, em outras cidades. Nem sempre eu a podia acompanhar. Esperava-a impaciente e saudoso, mas sabia que ela voltava.
A Lara adoeceu e ficou hospitalizada mais de um mês em Campinas. Morávamos em Indaiatuba, cidade próxima. Eu a visitava todos os dias. A última vez que conversei com ela foi por telefone, atendendo a uma chamada. Mal pude ouvir sua voz enfraquecida pela moléstia agravada pela idade sussurrar-me aos ouvidos palavras apaixonadas, ditas com dificuldade e tristeza:
-- Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!
Talvez a Lara tivesse sentido o seu tempo de vida prestes a esvair-se e a chegada do momento da última separação. Com a declaração, ela demonstrou mais uma vez todo o seu afeto e agradecimento pela nossa longa viagem de sessenta e oito anos com muito amor e tolerância.
Serena e bela como no dia em que a conheci em São João del-Rei, a Lara – a Colegial da Rua Paulo Freitas – em meio a tristezas e choros, desceu do barco e partiu sozinha noutro, em nova viagem sem destino certo. Amargurado, não podendo reter as lágrimas, vi o barco afastar-se e desaparecer lá longe, na amplidão do mar. Esperei. Esperei o seu regresso. Daquela viagem, a Lara não voltou nem voltará.
-- Adeus, Lara! Adeus!
A oração persistente e o passar dos anos curam as fundas lesões que o viver nos vai abrindo no coração. Diante do pequeno oratório da Lara, com o crucifixo e os santos de sua devoção, tenho orado e pedido a Deus paz à sua alma e, também, perdão pelos meus pecados por algum mal que talvez lhe possa ter causado e pelo bem que não lhe pude fazer, ou deixei de fazer. Faz dois anos que ela partiu e me deixou a solidão e a saudade que me confortam sempre que penso nela. E eu penso nela todo dia.
Muito obrigado.
Nege Além.