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VENCEDORES DO I TROFÉU AMOR ENTRE MÃES E FILHOS
VENCEDORES DO I TROFÉU AMOR ENTRE MÃES E FILHOS


 

TEXTOS VENCEDORES DO I TROFÉU AMOR ENTRE MÃES E FILHOS 2013

 

POESIA - MEDALHA DE OURO E TROFÉU GERAL - MESSODY RAMIRO BENOLIEL (RIO DE JANEIRO-RJ)

 

"MINHA MÃE NÃO TEM DESCANSO

NEM APÓS SUA PARTIDA,

POIS DE CHAMÁ-LA NÃO CANSO,

PELOS CAMINHOS DA VIDA ! "

 

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POESIA - MEDALHA DE PRATA - REGINALDO  COSTA DE ALBUQUERQUE (CAMPO GRANDE-MS)

 

Ressurreição   (Pseudônimo: Boneca de Sabugo)

 

Eis que volto ao parquinho abandonado...

De fato, está bem gasto, sem valia,

porções de entulho e mato lado a lado,

em vez da meninada em correria.

Olhando o carrossel empoeirado

não sei o que dá mais melancolia,

se o céu de luto todo declarado

ou nossa dupla de alazães vazia.

Ontem, quantos passeios demos juntos!

Hoje, nesses cavalos já defuntos,

encontro apenas restos de ilusão.

Mas um clarão de lendas muda o enredo...

Torna a girar o mágico brinquedo,

com a tua imagem me estendendo a mão...

 

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MEDALHA DE PRATA (EMPATE) - SÍLVIA ARAÚJO MOTTA (BELO HORIZONTE-MG)

 

AMOR DE MÃE
Soneto Clássico, sáfico, heróico;

sílabas fortes na 4ª, 6ª, 8ª; 10ª sílabas;

Rimado:ABAB, ABAB,CDE,CDE
Por Sílvia Araújo Motta

 

-
Amor de Mãe é sol brilhante e aquece:
uma família inteira, noite e dia;
nas horas tristes põe a fé na prece:
de intercessão da Virgem Mãe Maria.
-
Amor de Mãe é chama, sempre cresce;
gera uma vida, encanta, alenta e guia; transforma o sangue e quando o filho nasce,
dá o puro leite e prova a tal magia.
-
Amor de Mãe faz ver o céu de anil,
no leito, explode a estrela e traz canção;
bálsamo, acalma a dor que está no peito.
-
Amor de Mãe sublima graças mil,
deixa saudade e na alma, paz, perdão;
Flor que perfuma a vida: amor-perfeito.

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MEDALHA DE BRONZE - EDNA DE LIMA MENDONÇA (RIO DE JANEIRO-RJ)

 

IMENSURAVEL AMOR

 

Para uma órfã oriental

 

Ela perdeu sua mãe na guerra.

Pequenina, carente, sabe Deus

o vazio que em seu tenro coração

passou a fazer morada.

Sabe, também, o Bom Deus,

o quanto essa criança foi amada.

E o imenso amor de quem,

agora, ela não mais tem,

à menina traz tanta falta.

Movida por sua inocência,

desabafando uma dor imensa,

faz renascer, reproduzindo a giz,

aquela a quem tanto quis,

desenhada naquele grande pátio

da casa para onde foi levada.

Tirando as suas sandalinhas,

em respeito à cultura oriental,

deita no chão frio do orfanato

e se aconchega no colo vazio

de sua mãe, revivida no retrato.

 

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MEDALHA DE BRONZE (EMPATE) - HELENICE MARIA REIS ROCHA (BELO HORIZONTE-MG)

 

FILHINHO

 

quando fiz minha casinha

e nela me abanquei

tinha um filhinho nos braços

e a chuva no sereno

ouvia radinho de pilha

e sorvia café ralinho

pão comprado na esquina

e o menino em meu colinho

hoje,moça madura

sonho o amor que deixei

cubro meu filho de noite

e amanhã é tudo outra vez

 

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PROSA - MEDALHA DE OURO - VERA LUCIA FÁVERO MARGUTTI (MARINGÁ-PR)

 

AURORA

 

Ela era incansável. Além dos afazeres domésticos, da casa, dos cuidados e amor dedicados às filhas e cunhadinhos menores, ainda trabalhava na roça. Em uma época anterior às máquinas, onde o trabalho era totalmente braçal.

Aurora, jovem sonhadora, terna, alegre e batalhadora, casou com um jovem bom e amoroso. Pouco tempo depois, nascia a primeira filha do casal, que foi recebida com muita alegria. O casal vivia cada dia mais apaixonado e feliz, apesar da pobreza e do duro trabalho na lavoura. Quando nasceu a segunda filha, uma grande tristeza enlutou-lhes os corações: Ao nascer, o bebê apresentou problemas e com quatro dias apenas, veio a óbito, para o desespero daquela família carinhosa. Mas o tempo foi confortando-os e a fé em Deus, cada dia mais firme, minimizou as dores da perda.

Quando nasceu a terceira filha do casal, a alegria voltou a reinar em seus corações. Aurora sonhava com sua própria casinha, pois morava com os sogros. Soube esperar com paciência e amor, dedicados aos novos parentes, quando fosse possível a separação. Era uma família numerosa e os tempos eram difíceis. Para piorar, o lugarejo onde viviam, era uma região montanhosa, com muitos morros e pedras, ela subia e descia muitas vezes, os morros a pique, carregando pesados sacos de mantimentos e lenha, para o fogão e ferro a brasa.

A família foi crescendo e chegou a hora de irem para a própria casa. Foram viver em outro sítio, em uma casinha bem mais simples e pequena, mas a felicidade era grande. Ali o trabalho aumentou e os alimentos eram escassos, a lavoura quase nada produzia. A mãe valorosa e batalhadora estava sempre ao lado do esposo, nos mais diversos trabalhos.

No sétimo mês de gravidez de sua quarta filha, quando, arrastando pesado fardo de mantimento, sentiu forte contração. Desesperada e desprevenida, sem nenhuma roupinha ainda para aquele bebê, foi apressada para a máquina de costura, fabricar algumas peças. Com as dores aumentando, ela costurava e rezava para N. Sª do bom parto. A vovozinha, hábil parteira, coloca no mundo mais uma menina, prematura. Sem hospital, sem incubadora, desprovida de tudo... Um pequenino ser, ainda em formação.

Eis que o milagre Divino acontece! A criança se salva, porque eram pobres dos bens terrenos, mas ricos de fé e esperança. Em meio a pobreza, Aurora, que foi premiada com a riqueza de espírito, ainda encontrava forças, tempo e alegria, para contar lindas histórias, rir e brincar com suas queridas filhas.

 

 

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MEDALHA DE PRATA - AGLAÉ TORRES CRISTÓFARO (SÃO PAULO - SP)

 

 

DESCOBERTA - A LINGUAGEM DO MAR -

 

I

 

Eu e minha filha passeávamos pela areia pisando a água do mar em ida

e volta. Apanhei sua mãozinha na minha e resolvemos lavar as mãos unidas,

enlaçadas na água do mar. Nesse momento, surgiu a idéia de fazer um pacto,

um pedido a Iemanjá, falando a uma só voz:

- Iemanjá, mantenha-nos unidas eu e Cybele! Que permaneçamos

juntas para sempre!

Ouvi sempre dizer, o mar apaga o que se escreve na areia. Nunca me

havia ocorrido que ele escrevesse na água espalhando-se pela areia com

espuma e o escrito escorregasse de volta, desmanchando-se e diluindo-se no

mar.

Continuamos andando de mãos dadas pisando as ondas. Qual não foi

nossa surpresa... Observando as espumas na areia, o que líamos: A e C.

- Olhe Cy, o mar escrevendo! - Deve ser Iemanjá respondendo.- Vamos

tentar decifrar a espuma que fica?!

O diálogo estendia-se ao longo da praia: - Olha mamãe! C, A dos nossos

nomes.

A alguns passos uma onda e letras, letras que se deformavam

alongando-se, desfazendo-se escorridas na água imensa. Que experiência

inesquecível! Ela perguntou: - Mamãe a senhora já tinha feito isto? Percebeu

antes que o mar escrevia?! – Não. Nunca percebi que o mar falava conosco

por escrito. – Agora já se sabe que Iemanjá não é analfabeta. Veja! – É

mesmo! Meu e seu nome pelas espuminhas na areia. – Mamãe! Ela está

respondendo e confirmando nosso pedido. Colocou os nossos nomes juntos,

um depois do outro. Olhe! Olhe! A e C, nossas iniciais juntas de novo!

Caminhávamos com a mesma lentidão do dia rumo à noite.

Observando

estranha. Vários desenhos diferentes assemelhando-se a hieróglifos. Animais

desenhados em miniatura, baleias, dragão, peixes... ante nossos olhos

extasiados. Demos uma virada e caminhamos de volta.

melhor

a

recém–descoberta,

pensei:

Linguagem

Guardamos o êxtase da descoberta em segredo por anos.

 

II

 

Ontem eu e Cybele fomos dar boas-chegadas ao amigo Mar.

Encontramos na praia, no esconde-esconde das ondas, algumas águas-vivas

filhotes, outras ainda menores... todas mortas. Espalhadas.

O mar parecia calado, não querendo mandar nenhum recado pelas

ondas, deixavam na volta espuminhas silenciosas. Passeando pela areia rente

ao mar, após ter molhado nossos pés na água gelada, e dar nosso

cumprimento habitual, molhávamos as mãos na onda que beijava a praia e nos

benzíamos, pedindo licença à Iemanjá, para adentrar seus domínios, o Mar.

Com permissão, as espumas ao se desfazerem resolveram deixar na areia

alguns sinais aguçando nossos esforços em decifrá-los. Um cumprimento do

Mar, nossas iniciais espumantes C e A e uma girafinha que depois virou C. Eu

disse à Cy: - O mar xingou você de girafa! Ela retrucou: - É porque sou alta

mesmo. Não está me xingando, não. O Mar é nosso amigo!

 

III

 

Fim de tarde. Vendo o céu beijar o mar. O sol lançava reflexos dourados

nas águas verdes à medida que mergulhava, afogando-se no mar e perdendo-

se no horizonte. Hoje o Mar resolveu conversar conosco. Estava apaixonado!

Desenhava com espumas vários corações!Também as letras de nossos nomes

A e C e um H de alguém que nós amávamos. Olhe o nome de seu pai! Viemos

nos despedir, dando adeus e obedecendo à promessa mútua: guardar em

segredo a descoberta da Linguagem do Mar!

Até hoje! Quando violei a promessa para celebrar o amor de uma Mãe

pela sua Filha caçula, firmado e reafirmado na Linguagem do Mar em

espumas decifradoras.

O Senhor do Tempo transformou a menina em Mãe e eu em Avó, mas o

amor só fortificou nos embates do viver. Guardei na lembrança dos

Inesquecíveis a Descoberta entre Céu e Mar num momento de carinho entre

Mãe e Filha jamais suplantado.

 

 

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MEDALHA DE BRONZE - NERI FRANÇA FORNARI BOCCHESE (PATO BRANCO-PR)

 

 

. . . é preciso Amar

Não faz tanto tempo ainda, as margens do Rio Chopin, vivia uma família, com seus amores e dissabores. Para ser família não basta um pai, uma mãe e filhos. É preciso haver muito mais.

A mãe uma senhora, um tanto jovem, uma semana depois da morte do marido trouxe para dentro de casa o companheiro. Como já era um caso antigo foi só ajuntarem as trouxas. Os meus filhos, os filhos dele, um tempo depois os nossos filhos.

A senhora, só mãe biológica. Filho, serve para incomodar. Precisam de boas varadas para crescerem. Quanto mais gritar com eles, melhor. Carinho só para o companheiro.

A filha uma menina de 12 anos para fugir da falta de aconchego materno começou namorar. Miudinha, era uma criança. Aos 13 anos engravidou. Como não podia deixar de ser apanhou para não ser danada. Ouviu o que uma mulher/menina grávida não poderia ouvir. O bebezinho estava bem protegido. A menina tinha o desejo de ser mãe de verdade, amar o filho.

Diziam-lhe durante a gravidez:

- Você vai morrer no parto, a criança também. Você é muito pequena.

-Você é louca com apenas essa idade, estar grávida. Também se morrer, uma a menos para sofrer.

Passavam a contar causas de gravidez precoce só para atormentar a mãezinha. Ela pedia a Deus para protegê-la. Sentia-se sozinha, desamparada sem carinho de ninguém.

Uma criança gerando outra. O corpo da menina crescendo, a barriga com o filho, esticando. O parto foi complicado. Nasceu uma linda menina. Pequenina, com saúde trouxe alento para a mãe.

O morado um rapaz de muito jovem, estava trabalhando em outra cidade, noutro Estado. Através de amigos recebeu o recado do nascimento do primeiro filho.

O rapaz, conseguiu depois de ajuntar uns trocados vir buscar mãe e filha. Ainda bem, existiu compromisso entre eles apesar de serem jovens. Três crianças, começam uma vida de família. O amor foi à fortaleza, deu sustentação para o lar iniciado as pressas.

- Vamos trabalhar, criar nossos filhos. Diziam, puseram em prática. Muito pobres moraram nos lugares mais inusitados.

- Só não moramos, embaixo da ponte e, não passamos fome.

Pouco depois outra gravidez, nasce agora um menino. Tinham um horizonte, viver ser feliz, criar os filhos. Aos poucos se estruturam as crianças na creche, os dois trabalhando o dia inteiro. Ela sempre foi secretária do Lar.

Muito trabalho, muito compromisso para quem não teve infância, nem adolescência. Porém o carinho pelos filhos sempre falou mais alto:

- A eles vou dar o que não tive.

Não só o material, mas ensinar, sem bater, cuidar da vida, amparar, conversar. Nesse lar, foi regra vigente. Educar exige compromisso, muita determinação. Mesmo sem terem tido formação acadêmica, sabiam as Leis da Vida, os ditames do coração. Ouviam a voz da razão. Tempos depois, nasce mais um menino. São três crianças para cuidar.

Agora é preciso dar-se um jeito. A responsabilidade é grande. A vasectomia foi marcada, mas pelo SUS, a de amarrar, sai mais barata para o Governo. A vida com muitas dificuldades segue o seu rumo. As crianças sempre bem limpinhas, arrumadinhas. A menina, uma boneca, sempre enfeitadinha. Cresciam em Graça e Sabedoria.

Nunca faltou carinho, acompanhamento. A mãe sempre trabalhou o dia inteiro. As ordens dadas são para serem obedecidas, mas sem chicote. O diálogo é o caminho.

A avó, o padrasto agora são os que precisam de ajuda. Doentes, nem todos os filhos podem ou querem dar auxilio. O casal é quem os ampara. Quem não soube cuidar, busca carinho e, recebe. Quem teve medo de ter que sustentar os netos, recebe compreensão. São as lições da vida.

Jovens, cheios de vigor a vida em exuberância e a amarração do SUS se rompe. Outra gravidez, no primeiro momento o susto, o choro E, agora? Já é tão difícil, está tudo tão caro, Deus há de nos ajudar. Vamos cuidar com carinho de mais esse filho. O menino consolidou a família. É o xodó dos irmãos mais velhos. Trouxe alegria maior ainda para todos.

Conseguiram fazer uma casa. Nela colocar o necessário para ter comodidade. As crianças foram crescendo, bem educadas sabendo que pai e mãe são os responsáveis por eles, mas exigem respeito, obediência. Um família, onde pai e mãe são autoridade, sem autoritarismo, convivem dentro de uma harmonia fraternal.

Uma família iniciada quando ainda eram crianças superou os problemas, hoje servem de exemplo, fazem da existência, um viver bem vivido.

Onde há amor, a superação se torna mais fácil.

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