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ENTREVISTA COM GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS
ENTREVISTA COM GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS

ENTREVISTA COM GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS

 

 

  1. De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?

 

Nasci em Cuité, capital do Curimataú paraibano. Mudei-me muito jovem para Santa Cruz/RN, a fim de fazer faculdade; neste lugar onde hoje se ergue a maior estátua da cristandade, fui agraciado com o titulo de cidadão e até o momento resido.

 

Comecei a produzir alguma coisa ainda muito jovem. Quando adolescente, escrevi uma peça humorística intitulada “A Morte de Jesus Cristo no século XX", encenada e bem apreciada em minha cidade. Escrevi diversos poemas que traziam a marca de autores modernistas.

 

Independentemente da escola, desenvolvi gosto pela leitura ainda muito jovem. Lembro-me de pessoas sentadas – eu entre as tais - nalgum batente à noite, ouvindo histórias de Trancoso e leitura de cordéis. Violeiros e vendedores de cordel circulavam por nossas feiras; como era bom ouvi-los a cantar ou a ler histórias rimadas que até hoje povoam o imaginário nordestino!

 

Amigos – alguns deles hoje figurantes e fulgurantes na história literária de Cuité e de Santa Cruz - exerceram positiva influência sobre mim, mais que os professores. Ramilton Marinho, Dinamérico Soares, Aécio Cândido, Zé de Luzia, Hélio Crisanto, Naílson Costa, Adriano Bezerra, Marcos Cavalcanti e Zé Acaci são alguns dos muitos nomes que me vêm à memória no momento. Em amplo sentido, crescemos juntos!

 

Por falar em professores, recordo-me de dois episódios que alimentaram meu amor pela leitura e pela escrita. Vivíamos num tempo em que livro era artigo raríssimo. Uma vez fui premiado por Doutor Orlando, professor de português, com uma antologia escolar de crônicas e fiquei muito feliz. Lembro-me, também, de uma vez que fiz um trabalho em versos e o professor, diante de toda a classe, colocou em cheque minha honestidade. Num tempo em que não havia Internet, achou ele que eu havia copiado de algum livro de poemas e demorou a crer que de fato fosse meu. Isso de algum modo me levou a acreditar que meus textos tinham alguma qualidade.

 

 

  1. Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?

 

Li e leio muito, sim – hoje menos por causa das muitas ocupações e fatores de desatenção próprios dessa época. Tive a sorte de residir próximo à casa de Miguel de Almeida, irmão do ex-governador da Paraíba José Américo de Almeida, autor de A Bagaceira. Em sua rica biblioteca tive acesso a ótimos livros. Também pegava livros na biblioteca local. Obras de José Lins do Rego, Jorge Amado, Gabriel Garcia Marques, Drummond, Padre Antônio Vieira, Manuel Bandeira, Fernando Sabino, Rubem Braga, Ariano Suassuna... Gosto dos quatro gêneros. Posteriormente li Crime e Castigo, de Dostoiévsky, obra fantástica. O contista potiguar Ney Leandro de Castro tem textos excelentes. Rubem Fonseca, Luís Fernando Veríssimo, são todos escritores dignos de recomendação.

 

 

  1. Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?

 

Quando escrevo algo, às vezes tenho dúvidas sobre alguma expressão ou vocábulo. Nestes momentos empreendo alguma pesquisa até certificar-me de que farei correto e bom uso do termo.

 

 

  1. Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.

 

Sim, há muitos. Zé Acaci, Hélio Crisanto, Marciano Medeiros, Zé Ferreira, Mariana Teles, Francisca Araújo, Carlos Fialho, Hélio Alexandre e muitos outros. O Ramilton Marinho, por exemplo, escreveu uma coletânea de contos muito boa: Ninguém matou Baltazar. O Luiz Berto publicou um romance envolvente, de cunho regionalista, intitulado O Romance da Besta Fubana.  Na Internet e fora dela, com e sem publicações, conheço escritores valiosos que mereceriam uma maior projeção entre o público leitor.

 

 

  1. Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?

 

Costumo, sim. Já participei de uma antologia em prosa e verso intitulada Cantos e Contos do Trairi, organizada pela ASPE. Acho as antologias tão interessantes e úteis a quem se inicia na escrita que organizei e participei da coletânea APOESC em verso e prosa, publicado este ano; por último, tive a honra de figurar com um de meus cordéis numa antologia organizada pela ANLiC (Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel) batizada de O Cordel da Nossa Gente. Figurar entre nomes de peso da literatura popular para mim foi motivo de muita alegria. Também fui convidado pelo poeta e grande ativista cultural Antônio Cabral a participar de duas antologias de trova, uma organizada por ele e outra pela UBT. Regozijei-me com o convite e certamente poderei fazer parte de alguma organizada por você e sua equipe.

 

 

  1. Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?

 

Não sou membro de nenhuma academia. No passado recusei o convite para ingressar em uma devido a empecilhos geográficos. Sou membro e um dos fundadores da APOESC – Associação de Poetas e Escritores de Santa Cruz, que costumo divulgar como Associação de Poetas, Escritores, Simpatizantes e Colaboradores. Aliás, desde quando sugeri essa sigla tive em mente essa dubiedade de sentido.

 

 

  1. Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

 

Tenho muita coisa escrita em pastas do computador, principalmente em versos. Daria vários livros. Desde a adolescência escrevo. Também tenho crônicas e contos que pretendo publicar.

 

 

  1. Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso? 

 

Às vezes surge uma ideia que nos parece interessante e não sabemos em que gênero expressá-la. Prosa e poesia me parecem difíceis, dependendo do momento. Às vezes acalento o sonho de escrever um ou mais romances.

 

 

  1. Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual? 

 

Publico textos no Blog da APOESC e no Blog do Gil (http://apoesc.blogspot.com.br/ e http://bloggcarsantos.blogspot.com.br/ )

 

 

  1. Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?

 

Gosto de temáticas extraídas de minha vivência, mas exploro temas que nascem da imaginação. A mescla de ficção e realidade me fascina.

 

 

  1. Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)

 

Moro num interior onde não há muitas apresentações culturais. Temos, todavia, um teatro onde sempre que há algo vou assistir e onde também vez por outra me apresento cantando e declamando. Temos um projeto chamado APOESC Recitando o Sertão, eu e outros membros da associação, que já contou com patrocínio do BNDES. Admirador doutras expressões artísticas, vez por outra entrevisto algum artista local, seja no programa de rádio APOESC em Canto e Verso, seja em vídeos divulgados no Youtube. Ex.: https://www.youtube.com/watch?v=pC4I378UAbI

 

 

  1. Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

 

Escrevo primeiramente pelo prazer de registrar algumas coisas que me encantam. Percebo que a vontade de ensinar ou filosofar sobre determinados temas é o que me guia. Tenho tido algum retorno financeiro e reconhecimento com os cordéis que publiquei, com os musicais que escrevi (auto de Santa Rita e Auto de São Sebastião) e isso é muito satisfatório. Ser saudado na rua por alguém que para pra comentar sobre algum texto meu é bem prazeroso. Sinto-me a cumprir uma missão.  Não tenho grandes pretensões. No entanto, conforme detalhei em minha dissertação de mestrado, desejo muito que a cultura regionalista dos meus estados (PB e RN) não venha a desaparecer nem seja relegada à marginalidade como consequência da globalização. Antes, com as possibilidades criadas pelo avanço tecnológico, que possa universalizar-se sem perder nenhuma de suas características. Mediante o processo de globalização o cordel e a cantoria de viola, por exemplo, poderão subsistir no mundo moderno e ganhar a repercussão nacional e mundial que deveriam ter.

 

 

  1. Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?

 

Infelizmente, amigo, a parte dominante dos brasileiros é constituída por iletrados e analfabetos funcionais, conforme indicado por pesquisas do INEP. A maior parte dos poucos que leem, dedica-se a “notícias rápidas e sem profundidade”. A Internet nos proporciona novos modos de ler, mas em geral os internautas não aproveitam bem as grandes riquezas literárias e científicas que têm ao dispor. Há uma onda de leitores de best sellers, o que não é de todo mal, mas bem reduzido é o número dos que valorizam a literatura de boa qualidade.  

 

 

  1. Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?

 

Não. Acabo de ter minha atenção despertada para esta necessidade. Vou pesquisar a respeito e desde já conto com sua orientação..

 

 

  1. Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

 

Tenho cordéis publicados, opúsculos com poemas mais ou menos longos que contam alguma história ou dissertam sobre algum tema. Tenho “certa facilidade” em vendê-los, sim. 

 

 

  1. Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?

 

Não. Ao ser abordado por você, recorri ao Antônio Cabral e ele me passou excelentes e admiráveis informações a seu respeito. Com o aval dele, dei continuidade a este contato. Como a melhor propaganda é um “cliente” satisfeito, vou ler suas produções baseado no que me disse o Antônio, certo de que terei razões para me encantar.

 

 

  1. Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?

 

Como hobby e para aumentar a renda. Vez por outra eu e outros da associação somos remunerados para ministrar algum curso, apresentação ou seminário e o hobby se torna duplamente satisfatório.

 

 

  1. Você trabalha(ou) fora da literatura?

 

Sim. Sou professor da rede estadual do RN, com dois vínculos.

 

 

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