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ENTREVISTA COM FERNANDO TANAJURA
ENTREVISTA COM FERNANDO TANAJURA

  1. De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos.

Eu sou da Bahia, do Recôncavo Bahiano. Eu nasci em Nazaré das Farinhas e, desde que eu me entendo, fui cercado de poesia pelos parentes mais velhos, pelas tias, pelos irmãos e pela escola. As professoras passavam o dever de casa: decorar poemas de Olavo Bilac, Castro Alves e outros poetas para recitar em sala de aula. Tinha também os programas de domingo das Sociedades Erato e Euterpe que tinham serviço de alto-falante na cidade. Ainda de calças curtas, eu subia em um caixote para
alcançar o microfone e recitava poemas de Olavo Bilac. Isso tudo foi me influenciando. Lembro que, ainda pequeno, quando viajava com a família de Nazaré para Salvador, no vapor de Cachoeira, tive os primeiros contatos com o Cordel através da presença viva do famoso Cuíca de Santo Amaro. Ele saía pelo vapor recitando e vendendo seus versos em livretos picantes e cheios de rimas. Minha mãe, às vezes, me puxava para eu não escutar os versos cheios de malícia e de duplo sentido, mas o meu ouvido se aguçava com os sons e ritmos. Fui tomando gosto por aquela coisa linda cheia de vida.


2. Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?

Sou viciado em leitura, leio tudo, leio de tudo, leio todos os autores que me aparecem pela frente, dos clássicos aos contemporâneos, leio bula de remédio, rótulos de embalagens. Eu gosto de ler. Meu imaginário está sempre em festa.

3. Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?

Certamente que sim. Minha casa é cheia de papéis com anotações misturadas. Tenho sete dicionários que mudam de lugar constantemente, tanto de português como de inglês e de francês. Agora ficou mais fácil pesquisar palavras através da internet, ficou tudo mais fácil pelo google.

4. Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.

Existem muitos que admiro e troco idéias. Não dá para citar nomes porque são muitos e não quero deixar ninguém de fora. Eu frequento muitos sites e grupos de litertura na internet e leio todos sem distinção. Só no Facebook eu participo de mais de cem grupos sobre poesia. Tem muitas pessoas boas escrevendo, publicando na internet que não alcançaram ainda o grande público, não se orgnizaram para publicar em papel e, com isso, não são conhecidas . Muitas pessoas não tiveram o patrocínio inicial ou mesmo não tiveram recursos para produzir ou co-produzir uma edição independente. Assim como existem muitos que se arvoram a escrever sem ter o cuidado de polir sua produção, sem a preocupação de publicar um trabalho sério, limpo, sem erros. Publicar na internet é um universo onde vale tudo, é uma praça livre onde tudo acontece.

5. Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a
lançasse?

Eu publico em papel desde 1990 e só participei de uma antologia. Atualmente estou tendo o prazer de participar de uma segunda antologia de uma editora pequena, que está nascendo, ainda em formação e a experiência tem sido prazerosa. Nunca achei muito interessante publicar em conjunto, acho que fica uma obra sem face, sem personalidade, sem identidade. Os muitos projetos que fui convidado eram muito desorganizados, sem um tema, sem uma unidade, sem uniformidade, sem direção. Os organizadores pareciam estar mais preocupados em coletar as quotas de cada participante sem se preocupar com a qualidade ou com o simbolismo e a significância da obra. Depois de publicada a antologia, os participantes também não se unem para divulgar o trabalho, não cuidam pelos dedobramentos e, geralmente, quem organiza o projeto não promove os autores. Sei não... acho uma coisa meio embolada, sem contiunuidade, contudo eu estou aberto para novas aventuras.

6. Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?

Não sou membro de nenhuma Academia de Letras. Já tive alguns convites, mas saí de fininho porque meu trabalho é despretencioso e sem compromissos com o público mais exigente ou sofisticado. Eu gosto de falar a linguagem do povo. Eu gosto de escrever as coisas básicas, de maneira coloquial. Eu gosto de descrever os sentimentos de uma pessoa comum com seus erros e acertos, gosto de olhar o mundo com o olhar humano da criança que ainda trago dentro de mim, me admirando e me surpreendendo com as pequenas coisas, descobrindo a cada dia um sentimento novo, uma vida nova. Não sofistico a escrita para não embolar e confundir ou me mostrar que sou um intelectual. Isso passa longe da minha cabeça. Minha escrita é uma escrita simples e muitas vezes simplória propositalmente para mostrar a vulnerabilidade do ser humano ou a fagilidade que carregamos a cada minuto do nosso dia a dia. Não tive formação literária, sou um autodidata. A minha formação é de números. Eu estudei Ciências Contábeis e Administração de Empresas e ganhei o pão de cada dia por toda minha vida com os números, com a Contabilidade, contando dinheiro, com o débito e com o crédito.

7. Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

Não tenho ideia de quantos textos já escrevi. Sei que já publiquei cinco livros de poesia e tive duas peças para teatro encenadas, uma em Salvador – BA e outra em Nova York, além de contribuir ativamente por mais de dez anos com algumas publicações em português em Nova York, Boston e Newark, com poemas, crônicas e contos. Vivo criando, produzindo, escrevendo, doando a energia que me vem de graça e pródiga. Agora, tenho um estúdio em plena Manhattan repleto de papéis, cadernos e anotações que produzi ao longo de quase meio século. Gostaria de ter alguém que pudesse me ajudar a organizar e entregar como presente aos que tem fome da palavra.

8. Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso?

Eu escrevo em prosa ou em verso. Sinto-me mais solto e mais confortável escrevendo em versos.

9. Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual?

Sim muitos. A internet está cheia de sites que abrigam trabalhos literários, principalmente poesia. Tenho muitos trabalhos publicados na Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br), no Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br), no Poesia Pura (www.poesiapura.com) que é um site da Espanha que tem o Forum Fernando Pessoa em português, em Blocos On Line (www.blocosonline.com) da Editora Blocos, a qual publicou o livro “Dos Beijos” de minha autoria, e muitos outros que eu não me dou conta. Volta e meia descubro poemas meus publicados pelo Brasil, em Portugal, na Itália. Basta ir no Google e digitar Fernando Tanajura que eu estou na boca do povo no mundo inteiro em português, em espanhol, em inglês ou em italiano. (risos)

10. Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia? O que me vem à cabeça, o que sinto e o que invento eu escrevo, passo para o papel ou para o computador. Não escrevo minha vida. Eu me incorporo em personas e coisas, e solto as letras, as palavras, o pensamento, o poema, o texto.

11. Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)

Eu acho que as artes se interrelacionam. Um poeta, um escritor sempre se sente atraído pela música, pelo teatro, pelo cinema, pela ópera, pelo balé, pela pintura, pela escultura. Um artista é um observador e toda arte depende da obsevação de tudo que está em derredor. Não existe uma arte cega, sem sentimento, sem observação ou isolada e pura. Temos que estar antenados e no constante dar e receber.

12. Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

Eu escrevo para me comunicar, portanto minha expectativa de retorno é alacançar outrem, não importa onde esteja se no Brasil ou pelo resto do mundo. Desde que meu pensamento ou minha ideia alcance alguém eu já estou feliz, já está de bom tamanho.

13. Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?

É de vasto conhecimento que temos um histórico cultural que o brasileiro, o latino-americano em geral não é inclinado à muita leitura. Está na cultura, na educação ou talvez na própria falta do poder aquisitivo. O brasileiro lê pouco. Também, com o índice de analfabetismo elevado como o nosso, isso fica difícil, além de que, muitos dos que leem, poucos entendem o texto que leem ou conhecem o significado das palavras. Isso é triste e preocupante porque temos uma sociedade de ignorantes. Isso afeta no dia a dia seja na comunicação, na educação, no modo de pensar, na escolha de um candidato quando votam ou em tantas outra ramificações da dinâmica da sociedade. Pena que a educação e a alfabetização ainda são relegadas a segundo ou terceiro plano no Brasil. Deveriam ser em primeiríssimo plano.

14. Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?

Quando publico em papel sigo a lei e registro. Agora, participando de muitos grupos e oficinas de criação na internet, devido a velocidade e a própria dinâmica e estrutura do sistema de comunicação, fica difícil registrar cada coisa que escrevemos antes de se tornar público. Uma saída de proteção para evitar qualquer saia justa é publicar em algum site mais renomado, estável ou confiável, assim podemos dar validade ao armazenar a nossa autoria e podemos ter um meio de comprovação e de poder. Eu já passei por essa experiência na carne. Uma vez fui parabenizado ironicamente por um poeta contemporâneo por ter usado a ideia dele em um poema meu. Só que pude provar que o meu poema foi criado muitos anos antes do dele e publicado em um site sério de literatura. Aceitei as suas desculpas depois do esclarecimento sem desavençaas. É sempre bom a gente se proteger.

15. Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

Como falei acima já publiquei cinco livros-solo. Consegui ter bom retorno, mas tive que ralar um pouco. Geralmente poesia a gente não vende diretamente em estantes de livrarias. A gente tem que organizar sessões de autográfos em bares, botequins, restaurantes, centros culturais, fundações e escolas e por aí vai. Eu gosto muito de doar meus livros. Doo a bibliotecas, colégios, doo a amigos e muitas vezes nas ruas e em praças públicas. O meu objetivo quando publico não é fazer dinheiro, fazer fortuna e ficar rico. Gosto de publicar para dividir meu pensamento, para presentear o leitor e, graças a todos os deuses do Olimpo, sou bem aceito e, com muita facilidade, alegro àqueles que me leem.

16. Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?

Não conhecia. Estou começando a decobri-lo agora. Tenho curiosidade de desvendar seus mistérios, suas metáforas e seus segredos.

17. Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?

Não trabalho para aumentar a minha renda nem uso a literatura como hobby. A literatura para mim é uma paixão, um estilo de vida, uma fonte de alimento da alma. Tenho fome de ler, de pensar, de aprender, de escrever, de viver, de dividir uma ideia, uma imagem ou um sentimento com o resto do mundo. Ser poeta é um estilo de vida e um dom que divido com o público com a maior dedicação e como uma devoção.

18. Você trabalha(ou) fora da literatura?

Também já abordei esse assunto acima. Vivi de números e ganhei meu pão de cada dia contando dinheiro dos outros durante a minha vida inteira, coisa que não me arrependo, foi minha profissão e me alimentou pelo mundo. Consegui chegar a um ponto que não preciso mais trabalhar para viver, o que é um privilégio. O pouco que tenho me basta, me satisfaz e vivo feliz.

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