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TEXTOS VENC DO III CONCURSO ARRAIAL À MODA ANTIGA
TEXTOS VENC DO III CONCURSO ARRAIAL À MODA ANTIGA

MEDALHA DE OURO EM POESIA: LIN QUINTINO (FORTALEZA - CE)

 

Pro céu subiu meu balão

 

 

E o balão foi subindo

Iluminando a escuridão

Olhos abertos não perdiam

Do balão a direção.

 

Foi como um raio de sol

Cortando o céu estrelado

O balão levou pra longe

Os sonhos dos apaixonados.

 

No balão prenderam se os olhos

Da menina e do poeta

Do amante e da amada

Na noite que se fazia em festa.

 

Meu coração explodiu em saudade

Quando sumiu, na noite, o balão

Mas, restou em mim o desejo

De chegar outro São João.

 

 

 

 

MEDALHA DE PRATA EM POESIA: JANIA SOUZA (NATAL - RN)

 

FESTAS JUNINAS Jania Souza, Natal, RN, Brasil

 

 

Aquece meu coração desde remota infância

o colorido das saias, das fitas, das rendas

da dança alegre, dos risos das sanfonas

comida doce, suculenta nas barracas da praça

o milho colhido verdinho na roça

o pipocar das bombas nos olhos das estrelas

a faca na bananeira, a quadrilha no terreiro.

São João embala-me em seus braços de fitas

Canjica, pamonha, pé-de-moleque, adivinhação 

Seu cheiro de fumaça perfuma meus cabelos

E o riso fagueiro salta no terreiro

No abraço da quadrilha empolgante

Revirando meus sonhos por inteiro.

 

O risco dos foguetes centelha nos céus

Bandeirinhas tremulam em barracas passarela

A fogueira saúda o Santo do dia

Mimoso em seus trajes de festa

Esquecido da birra de milênios e séculos.

 

Enquanto a multidão em romaria professa

Súplicas, pedidos, intercessões e ofertas

Antes dos folguedos da alegre e profana festa.

 

É o arraial da alegria na profusão da quadrilha

No casamento do triângulo com a sanfona

Rodopio do pé no xote até o baião

Faz requebrar as ancas das

Maria’s e atiça fogo ardente no coração dos João’s.

 

Viva São João!

 

Renasce o verde no campo com a brisa doce da época.

 

 

 

MEDALHA DE BRONZE EM POESIA: HELENICE MARIA REIS ROCHA (BELO HORIZONTE - MG)

 

Arraiá do Amor

 

Minina dos óio verde

se espraiando no arraiá

vem conversar comigo

chega perto prá dançar

dançar passo de moda antiga

de um tempo que não tem mais

 

Minina dos óio verde

meu pranto é so para ti

e meus cantares também

vem descansar nos meus braços

dançar passo de moda antiga

de um tempo que não tem mais

 

Vamos fugir prá bem longe

para antigos arraiais

vamos pular a fogueira

dançar até nunca mais

Vamos dar beijo na boca

minina dos óio verde

nos braços das Gerais

 

 

 

 

MEDALHA DE BRONZE: JANE GUIMARÃES (ARACAJU - SE)

 

São João coisa nossa

 

Uma festa bem animada,

quadrilha, comidas típicas,

muita gente, roupas coloridas

e haja adereços!

 

Com fogueiras, fogos, já é uma tradição,

são momentos inesquecíveis,

marcam os nossos corações.

Provoca sentimentos de harmonia e felicidade!

 

Nas tradições juninas tem até simpatias,

sorte e advinhas

e o Santo Antônio, camarada e casamenteiro.

O casamento caipira ou matuto, quanta magia!

 

Brincadeiras divertidas como pescaria, bingo, jogo da argola!

Decoração com balões e bandeirinhas,toalha de mesa, fitilhos,

transformadas em um belo arraial!

Traques de massa, garantem alegria na festa!

 

Comidas típicas, como o milho, canjica, pipoca ,paçoca e amendoim...huumm!

As músicas com sanfona ,que tradição!

Tocam forró e sertanejo também.

São João coisa nossa!

 

 

 

 

MEDALHA DE OURO EM PROSA: JANIA SOUZA (NATAL - RN)

 

As Garras de Seu João

 

Diante dos olhos semicerrados descortinava-se uma densa e impenetrável névoa de fumaça. As meninas lacrimejavam por trás dos trêmulos cílios, que protestavam freneticamente contra a agressão da poluição. A cortina esbranquiçada encobria um metro, dois, três... atingiam quase, em sua inocente e despreparada avaliação, a barreira do quilômetro. Os pulmões não conseguiam realizar a sua natural função, respirar. Estavam em seu limite de capacidade de purificar o oxigênio necessário à sobrevivência. Parecia que iam explodir a qualquer momento como frágeis bolas de encher. Belas bexigas coloridas que agradam tanto à criançada soprar e soltar, pela sua leveza e alegre saltitar no ar.

Encontrava-se bela, toda ataviada com saias rodadas e coloridas. Laços de fitas multicores presos ao tecido e aplicações de delicadas rendas adornavam o figurino de época. As rendas foram feitas com enorme carinho pelas habilidosas e talentosas mãos de sua avó e caiam tão bem no vestido matuto, proporcionando-lhe um estilo alegre e vistoso.

Parada em frente à rua, não conseguia mexer-se. Não conseguia divisar o cenário da rua. Essa, dantes tão calma, ornada pelas alegres fachadas das casas regionais de sapé e pau a pique, tinham telhado baixo de duas águas, paredes pinceladas com hidrocor ou com a simplicidade da cal, sumira literalmente do campo da sua visão num turbilhão de enormes nuvens de fumaça.

Não conseguia visualizar as casas espaçadas. Separadas por cercas de vara e de plantas, que tinham a estrada batida a barro formatando a rua. Nesse exato momento, as salas das casas, estavam mergulhadas na sagrada hora da Ave Maria. Era precisamente dezoito horas, instante dedicado à reflexão aos céus. Era o momento em que todas as fogueiras eram acesas para homenagear São João. A comunidade seguia o ritual realizado pelo pai do Santo, Zacarias, quando anunciou em agradecimento o seu nascimento pela graça de Deus. Os devotos continuaram a tradição de homenagear João e a suplicar suas intermediações. (A tradição garantia que todos os pedidos dirigidos a ele, quando se acendia a fogueira, teriam sua pronta intercessão junto ao Criador em nome de Jesus Cristo, advogando a favor do pedinte. Esse rito cristão desembarcou em solo brasileiro pelas mãos dos colonizadores portugueses, inicialmente pela catequese dos jesuítas antes da perseguição a esses pelo Marquês de Pombal e estendeu-se pelo vasto império de Janduís, chefe tapuias e, também, pelo dos potiguares, onde edificaram o complexo das missões na lagoa de Extremoz). Defronte à porta de cada casa, havia, de acordo com a tradição, uma enorme fogueira feita com toras e lenha de madeira, cuja queima duraria a véspera e o dia do santo homenageado com bandeirolas, balões coloridos. Nas casas, lanternas, como no céu, passando iluminadas como se fossem estrelas levados pelo vento. O perigo não era muito representativo, a cidade ainda não abandonara as fronteiras rurais, sendo de pequenas dimensões. O balão encantava todos os corações! Principalmente os que se preparavam para as danças e jogos, quadrilhas, disputa dos cantadores de viola, emboladores de coco e o festivo forró com seus passos e abraços.

Apesar da cegueira momentânea, a menina, na sua ansiedade festiva, não retrocedia. Queria vislumbrar e registrar as peculiaridades daquele instante ímpar em sua vida. Na cidade grande, capital do estado, Natal, cidade onde morava, essa festa não era comemorada com tamanha amplitude. Nunca vira. Nesse momento, jovens faziam adivinhações (simpatias da tradição portuguesa, passadas de pai para filhos) desejosas de desvendar o próprio futuro. Descobrir o futuro companheiro, marido, pois caritó era uma maldição imperdoável por esses lados. Corriam frenéticas levando em suas mãos pratos, copos, alianças, velas. Escondiam-se atrás da porta rezando o Pai Nosso; ao ouvir o primeiro nome masculino pronunciado após ser acesa a fogueira, tinham o nome do felizardo que as acompanharia pelo resto da vida. Os deslumbrantes vestidos para a quadrilha já se encontravam engomados a ferro de carvão a lenha com muita goma e estavam dispostos sobre as cadeiras e camas com os adereços para compor o figurino final. Chapéus de palha, fitas, rosas, lenços coloridos, colares, brincos, pulseiras, aguardando os belos corpos que ataviariam. Enfeitar-se era a ordem do dia e o principal adorno era a expressão feliz em cada rosto.

Lentamente, a visão começa a adaptar-se ao novo panorama. Percebem-se cabecinhas correndo de um lado para outro. Som de sanfona, triângulo e zabumba em algum lugar distante. Tica ainda toma banho de lata no quarto improvisado como banheiro. A casa não disponha do luxo de um sanitário, muito menos de um chuveiro. Ela quer está cheirosa, bonita e com roupa nova, tipo modelo de artista para fascinar seu pretendente. Zé Lucas vai tocar forró às vinte e duas horas lá para as bandas dos Pereiros. Não se sabe se no caminho vai haver sapos. A população deles é simplesmente enorme na região. Pulam e amontoam-se por todos os cantos da cidade. Tem de todos os tamanhos. Pode ser que fujam das fogueiras com medo de serem assados vivos. Até no verão eles enlouquecem quem sente pavor de suas aproximações. O rio Mossoró é um grande celeiro de sapos. Na realidade, eles são tônica constante nas terras do nordeste onde abunda água. Quando chega o frio, eles saem das redondezas do seu habitat natural, para se aventurarem por longos caminhos em busca de alimentação, principalmente após as cinco horas da tarde. Dessa forma, a cidade de Mossoró e outras adjacentes por longas léguas, latitudes e longitudes, num plano cartesiano que extrapola os limites da chapada do Apodi, são inundadas por essas criaturinhas que pulam de um lado para o outro em busca de insetos. Além de seu predador natural, a cobra de caçote. Tudo indica que os batráquios querem aconchego longe da friagem da água noturna do rio. Contudo, seu figurino não é nada amigável. Muito menos a gélida temperatura dos seus corpinhos disformes, reforçando a filosofia de que beleza é padrão definido por cada espécie. Tica não se importava com eles. Nascera aí. Criara-se entre os sapos do rio como qualquer habitante da cidade. Contudo para os visitantes, vindos de outras realidades geográficas, os sapos representavam um transtorno, puro constrangimento, incitando o pavor pelos horrendos animais de vida ecológica totalmente correta. Para a menina, significava a negação do paraíso. Porém, essa era uma noite especial. Embora fria, a temperatura estava levemente aquecida pelas fogueiras. Isso permitia a segurança de movimento. Compreendeu que poderia circular livremente e apreciar com entusiasmo os encantos da noite que começava de forma avassaladora em suas surpresas.

Vagarosamente, tentando acostumar-se a densa neblina de fumaça, penetra na harmonia da festa e faz comunhão com os devotos no profano das comemorações.

Logo arranja um amigo e juntos realizam os rituais da fogueira.

Soltam traque, estrelinha, enquanto a fome não chega para convidá-los a farta mesa com canjica, pamonha, bolo preto e numerosas guloseimas juninas.

A sanfona (acordeão) chora suas notas alegres e com o triângulo embalam xaxado e baião.

No céu, São João, mais complacente, abençoa seus fiéis devotos e os entrega ao Pai de toda a criação.

 

 

 

MEDALHA DE PRATA EM PROSA: SÉRGIO RODRIGUES PIRANGUENSE (CONTAGEM - MG)

 

ARRAIAL (TSE) TEMPORADA DE SUCESSOS DA ECONOMIA

 

___ Venha fazer parte da plateia mais feliz do mundo. O Arraial TSE é local de lazer com infraestrutura de país industrializado. Vendedores credenciados foram treinados para receber todo tipo de cartão de crédito. Atrações incríveis a preços populares esperam por você. O público infantil vai à histeria no parque temático montado com balanço computadorizado programado para não fechar. Será sorteada no final entre as pessoas presentes, uma linda bolsa-família em legítimo couro de compatriotas.

­­___ Toque a sanfona sanfoneiro arretado. Esse povo feliz não consegue ficar parado. Quem tem dinheiro gasta. Quem não tem pede emprestado.

___ Senhoras e senhores peguem seus pares. A minha direita o emprego. À esquerda as carteiras. Tá bonito os pares de emprego com carteira. Casais perfeitos. Damas e cavalheiros feitos uns para os outros. Atenção vai começar o Arrasta pé da Economia. Cada qual em seu lugar, rodopiando em redor da fogueira, no ritmo cadenciado da estatística musical.

___ Olha o rebaixamento – se correr o bicho pega.

___ Olha o escândalo – se ficar o bicho come.

___ Olha a crise – é uma atrás da outra seguindo a marcação.

___ Olha a distribuição de renda – aqui nada se vê e tudo se imagina.

___ Olha o salário perdido – o perigo é Real.

___ Olha o equilíbrio seu fiscal. Onde o senhor bebeu essa?

___ Olha a pedalada (os casais simulam um passeio de bicicleta).

___ Olha a vaga no mercado de trabalho! É minha, é minha. Larga. Solta.

___ Olha o bicho pegando.

Oh, não! O sanfoneiro também entrou no tumulto. Acabou, acabou. O som alegre da sanfona emudeceu em “volume morto”. Quem tem dinheiro safa. Quem não tem se endivida até o pescoço. É o Arraial Temporada de Sucessos da Economia. Acredite se quiser dona Maria.

 

 

 

 

MEDALHA DE BRONZE EM PROSA: SONIA MARTELO (PONTA GROSSA - PR)

 

QUE SAUDADE DESSA QUADRILHA !...

             

                Quando chegava o mês de abril, os primeiros preparativos tinham o seu início. Quanta animação! Eu, na qualidade de Coordenadora de Cultura do colégio onde lecionava a Disciplina de Educação Artística para os jovens do Segundo Grau, hoje Ensino Médio, já me animava a promover reunião para decidir a formação de nossa famosa Quadrilha Junina (e Julina) a fim de apresentá-la nas quermesses das Igrejas e festas típicas da época. E nossa quadrilha era um sucesso. Linda demais!

                Meus alunos  de então,com seus rostinhos corados e sempre animados no entusiasmo de sua juventude, escolhiam seus pares de acordo com suas empatias e indicavam quem seria o noivo, a noiva,o padre,o pai da noiva,a mãe da noiva, o delegado e assim por diante. Já nos ensaios cumpridos religiosamente era tudo festa : no início eu os comandava, porém, logo eles assimilavam as lições e agiam por si mesmos. O noivo era quem puxava a quadrilha pois ia na frente de par com a noiva, eu apenas os orientava quando surgia alguma dúvida. As ordens eram passadas e a quadrilha seguia bonito, ao pé da letra :" avancê,cumprimento, anarriê,caminho da roça, a ponte caiu, é mentira, olha a cobra, cestinha de flores " e muito mais nos passos graciosos das moças e nos passos firmes dos rapazes em uma evolução que deixava os espectadores impressionados pela beleza dos movimentos executados com precisão quando chegava a hora das apresentações.

                 Quanta saudade ao me lembrar... nossa quadrilha sempre foi a mais famosa da cidade e era convidada a participar de festas juninas e julinas por igrejas e instituições em todos os quadrantes da cidade e redondezas.

                 Por esta época havia um Concurso Municipal de Quadrilha Junina e a nossa ganhou o mesmo por várias edições,não havia outra tão linda e animada e que levasse tanta emoção e enlevo para o público.

                Quando chegavam os dias de apresentação era aquele alvoroço, as moças se enfeitando, arrumando as trancinhas,colocando fitinha vermelha nos cabelos, pintinhas pretas nos rostos, a noiva se preparando ( o vestido de casamento era autêntico, era o de sua avó, bem elegante ), os rapazes todos de camisa xadrez e paletó bem apertado ou então muito folgado (emprestei um paletó xadrez de meu esposo certa ocasião para um ex-aluno certa ocasião e nunca foi devolvido,preferiu guardá-lo para si), com barbichas e bigodes primorosamente esculpidos em carvão. 

                Enfim, todos em marcha sob a melodia do saudoso Mário Zan, desfilavam, dançavam e encantavam a quem os assistia.

               Quanta saudade daquela época ! Hoje, tanto tempo é passado,porém, guardo na lembrança aqueles rostinhos bonitos de meus ex-alunos, os seus sorrisos alegres no compasso da nossa quadrilha a deslumbrar todo o pessoal.

               São momentos inesquecíveis que habitam meu coração

 fazendo eco em minha alma e que comigo sempre estarão rumo à Eternidade.

               SALVE A NOSSA QUADRILHA CAMPEÃ !...

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